O MDB saiu-se fortalecido da disputa interna por espaço e poder nas comissões de Finanças e CCJ na Assembléia Legislativa. A primeira coube ao deputado Nilton Franco, numa disputa de gladiador com o deputado Olyntho Neto(PSDB). A segunda, teve vitória na vice-presidência da CCJ, dodeputado recém eleito, Jair Farias, na CCJ, a mais importante comissão da Casa.

Ainda assim, nessa última semana de fevereiro, o que se escuta por aí ainda são críticas ácidas de alguns à composição feita pelo MDB na Assembléia Legislativa que levou à liderança o deputado Eduardo Siqueira Campos.

Insistir nesse argumento só revela o desconhecimento de muitos sobre o modus operandi dos deputados para garantirem espaço nas comissões.

Comissão é poder. Presidi-las, ou fazer parte como membro das mais importantes, chega por vezes a ser muito mais significativo por exemplo, do que o rateio de cargos e indicações que ocorre com os membros que integram a Mesa Diretora.

A discussão que vinha “pelas beiradas” ganhou corpo semana passada e ocupou boa parte da reunião do diretório estadual do partido. Em tom ameno quem provocou a explicação dos deputados foi o ex-deputado federal e também ex-parlamentar estadual, Freire Jr.

Freire, como outros externou a incompreensão pelo fato de que o partido desse a liderança ao deputado Eduardo Siqueira Campos, tradicional opositor das hostes emedebistas. Da explicação dada por Jair Farias, e outros parlamentares, Freire saiu convencido. E não haveria motivos para ser diferente, afinal é só fazer as contas do resultado prático que o MDB conseguiu, no final do jogo de poder que deixou de fora muita gente e provou que mais que bater na mesa, vale o diálogo. E os votos, que se consegue naquela Casa.

Da cassação, à sobrevivência, as lições que o MDB aprendeu

Depois que o MDB perdeu o governo, em março/abril do ano passado o partido corria um sério risco de ser triturado pela nova estrutura de poder que se formou no Estado.

“A gente precisava se blindar”, avaliou um dos deputados na reunião. A primeira providência foi construir uma coligação proporcional que mantivesse as vagas na Assembléia e elegesse dosi federais. No âmbito estadual, objetivo conquistado com sucesso. De quatro, o partido ampliou para cinco seu número de vagas.

Na esfera federal, a ex-deputada Josi Nunes perdeu o mandato, mas a ex-primeira dama, Dulce Miranda, garantiu sua reeleição.

Com a vitória de Mauro Carlesse na suplementar e sua confirmação como governador nas urnas de Outubro, cabia ao MDB procurar caminho de manter-se bem acomodado na Assembléia.

A escolha de se aliar a Eduardo Siqueira Campos foi estratégica. Primeiro, por que o deputado do Democratas já vinha construindo uma boa relação com os pares. Segundo por que com a habilidade dele e a de deputados já experientes de segundo mandato, foi possível garantir ao partido presença em comissões importantes.

Nilton Franco, que queria ser presidente, reclamou na reunião do que considerou falta de apoio dos colegas parlamentares à sua candidatura. Mas cravou a segunda vice-presidência no acordo construído em torno de Toinho Andrade.

“A posição que temos hoje é extremamente favorável e foi construída. Na Assembléia tem que saber conversar, articular”, me disse no Palácio Araguaia, há alguns dias o deputado Elenil da Penha. Valdemar Jr concorda com ele, e emenda: tem que ter voto. Muitos sonharam muita coisa na Mesa Diretora, e nas comissões, mas na hora H, faltou voto.

Resistências à Eduardo Gomes: ou o MDB, sendo MDB

O último capítulo da reunião, tratou da entrada do senador Eduardo Gomes no partido. Gomes, como se sabe, entrou por cima, ou seja: pelas mãos da cúpula da legenda que construía a candidatura de Renan Calheiros. Não deu certo, mas o senador tocantinense terminou secretário na Mesa Diretora, comprovando mais uma vez poder de articulação.

O que incomoda a alguns da antiga, me contou um emedebista de carteirinha, é que Gomes não tenha vindo antes “pedir a bênção” dos auto intitulados “autênticos”.

O mais resistente é justamente Freire Jr. que falando das eventuais divergências de interesse do grupo que Gomes já carrega e os emedebistas que já estavam ancorados no partido, citou o caso de Araguaína.

Lá, Gomes está bem ligado ao grupo de Ronaldo Dimas, por quem foi apoiado incondicionalmente. “E na hora da eleição, como será com vocês?”questinou Freire Jr a Elenil e Jorge Frederico, os dois deputados “modebas” de Araguaína. “Não se preocupe, deputado, nós saberemos resolver nossa situação”, ouviu de Elenil.

Na outra ponta, Valdemar Jr, que falou ao portal semana passada sobre a sucessão no partido, é bem mais conciliador. “A chegada do Eduardo Gomes é tranquila. Veio por cima por que sua entrada era um interesse nacional do partido, mas é um conciliador. O temor de muitos é o efeito Kátia Abreu”, me disse Valdemar lembrando a disputa de comissões entre Kátia e o grupo Miranda lá atrás.

Qualquer divergência interna e localizada, defendem deputados ouvidos pelo portal, será resolvida gradativamente, a medida que as eleições forem acontecendo e os grupos se juntando.

O que fica, nesse processo todo, é que o partido saiu-se bem depois de duas eleições: a de Outubro e a da Mesa Diretora.

“Liderança? Liderança não é mandato. Por hora Eduardo tem desempenhado muito bem seu papel de líder. Caso isso mude, liderança se muda a qualquer hora. Não há impedimento nenhum em mudar”, ouvi de outro parlamentar.

O que pouca gente não entendeu é que Siqueirismo e Mirandismo são águas passadas no Tocantins. Por hora, cada um carrega seu sobrenome e sua história. Mas os tempos… os tempos já são outros.

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